quarta-feira, 14 de abril de 2010

Se eu fosse menos fresca ou desabafo de uma mente non-stop


Se eu fosse menos fresca, aproveitaria muito mais os momentos ao invés de ocupar-me com possibilidades estapafúrdias e inexistentes!
Viveria muito mais intensamente a vida, aproveitaria cada retalho que compõe essa imensa colcha.

Sim, vejo a vida como uma imensa colcha de retalhos: colorida e remendada.

A forma de me relacionar com o mundo é TOTALMENTE cinematográfica (e algumas vezes tão novelesca!).

Sempre foi assim. Filmes sempre passaram na minha cabeça. Sou uma contadora de histórias nata. Tenho meu próprio mundo onde vivo as coisas pela primeira vez. 
É verdade. Tudo o que faço, no dito mundo real, na verdade, to fazendo pela segunda vez porque imagino possíveis diálogos e ações antes mesmo de vivê-las propriamente. É tão cansativo viver com roteiros imaginários povoando a cuca!

Mas, por também ser tagarela, acaba sempre sobrando espaço para a espontaneidade. Juro que palavras novinhas em folha saem de minha boca sempre! É..., quem diria..., acabo sendo "salva pelo gongo". A tagarelice traz espontaneidade à minha vida. Menos mal! :)

O que eles chamam aqui de "Girls Night Out" ou o que é simplesmente pra nós o "tomar um choppinho com as amigas" tornou-se, para mim, uma experiência antropológica.

É tão divertido falar pelos cotovelos, trocar pontos de vista e ver as reações chocadas da mulherada quando eu digo uma coisa que para mim é muito natural. Adoro conversar com minhas amigas egípcias, italianas, australianas, americanas, sudanesas, da Líbia, da Tunísia, mulçumanas, católicas, cópitas, atéias, macumbeiras, e aprender com elas.

Também, claro, curto apresentar-lhes outros pontos de vista, outras possibilidades de se viver e encarar a vida. "Respeitosamente" não deixo de ser eu mesma e apresento minhas opniões. Acaba por ser um gostoso exercício de falação e cumplicidade.

Essa experiência me faz crer, cada vez mais, que a espontaneidade é uma característica cultural brasileira.

Vou arriscar-me numa generalização: o brasileiro é um dos povos mais espontâneos do mundo!
É verdade! Quanto mais conheço gente por esse mundo afora mais acredito nisso! Claro que conheço muitas indivíduos espontâneos. Mas, falando em povos, certamente nós estamos no "top 10" da espontaneidade.

Enfim, cresci e fui cursar duas faculdades que fomentaram essa característica forrest gumpiana: Cinema e Publicidade.

Realmente acredito que nossa profissão, o que estudamos, influencia diretamente a maneira como vemos o mundo!

Por exemplo, tenho uma amiga de Cingapura que é economista. Ela mudou-se para Hong Kong e eu quis saber como era a vida lá. Bem, ela me descreveu a vida em Hong Kong usando números e o custo de vida da cidade.

Quando me peguntou sobre como era a vida em Cairo, descrevi usando impressões, emoções e contando histórias que me aconteceram aqui.

Botar pra fora tanta história é terapêutico e me ajuda muitíssimo a colocar os pés no chão e a arregaçar mangas para concretizar os pensamentos, as histórias ou sonhos, (como você preferir chamar....).

Bem, escrevi escrevi, à minha maneira prolixa de ser, para chegar à questão de ser fresca:
No período de novembro a dezembro fiquei bem deprimida aqui no Cairo. Apesar de ser uma cidade incrível (acontecem coisas aqui que me custam acreditar!), com uma impressionante concentração de pessoas interessantes, ela não favorece aos encontros, ao getting together, ao Girl Night Out, por não ser nada acolhedora. Urbanísticamente isso aqui é um caos.

Escrever estava me ajudando a entender, a aceitar e a me adaptar a essa realidade. Tem muita gente que é felicíssima aqui no caos! Principalmente os alemães e holandeses!

Pra mim fica mais difícil porque sou muito visual e contemplativa. 
Meus olhos míopes, que não enxergam com muita definição, me favorecem a perceber o mundo de maneira Gestáltica.

Apesar do Cairo ter muita luz (o sol por essas bandas é incansável), eu preciso de uma folha pra trazer e traduzir essa luz toda! Faço fotossíntese para viver!

Tive dificuldades, e as piorei com o turbilhão de pensamentos na mente non-stop

Troquei minha "blog terapia" pela "choro terapia", no "skype das lamentações". Ai!!! Bem coisa de MULHERZINHA chatinha!!! ARGHHHHHH!!!

Hoje voltei aqui não para escrever, mas porque buscava uma informação e encontrei uma oportunidade perdida. Putz grila! Que chato! 

Mas bola pra frente! Sou antes de tudo uma otimista (apesar dos altos e baixos) e brasileira (então, não desisto é nunca!!!) ;)

Voltarei em breve com mais incríveis aventuras, algumas questões (elas sempre existem), músicas e bom humor.

Se eu fosse menos fresca e pensasse menos...


Se.

Luz do sol, Caetano Veloso
Luz do sol
Que a folha traga e traduz
Em ver de novo
Em folha, em graça
Em vida, em força, em luz...

Céu azul
Que venha até
Onde os pés
Tocam a terra
E a terra inspira
E exala seus azuis

4 comentários:

Patrick disse...

Muito bom voltar a ler o seu blog! O Rss me avisou, então sempre estarei ligado! :)

Sei como é passar por momentos de perrengue tb. Não é fácil, mas a gente se vira, né?

Tb acho que escrever ajuda, mas tem vezes que acho algumas coisas pessoais demais pro blog.. Mas posts indiretos servem pra isso. =P

Beijos!

Let disse...

Também tenho acompanhado o seu blog! E adorei saber da sua última aventura! Alias, espero que tudo esteja bem ai contigo, apesar do vulcão...

beijosss

Leo Mancini disse...

Paulinha!

Vc virou uma cidadã do mundo!! Que bom!

Espero que esteja bem por aí!

Saudades,

Leo Mancini

(eu ia escrever mulher do mundo, mas ia pegar mal...)

Anônimo disse...

Experiência de intercâmbio ou internacional far away from home, em países onde o caos é o normal sempre geram o mesmo tipo de sentimento, impressionante. Mesmo teu sentimento sendo "de mulherzinha", já passei por sentimentos parecidos por aqui.

Ah, entrei no teu blog recomendado pela sua irmã, Thaisa, que está sentada a duas cadeiras de mim.

Prazer, Tiago!