Artigo em ingles, da Al Jazeera Internacional. Muito interessante!
http://english.aljazeera.net/focus/2009/10/20091031142820116973.html
beijos
Viver para conta-la
Uma das gratas surpresas daqui foi ter acesso ao noticiario da Al Jazeera. Eh simplesmente excelente a qualidade dos documentarios e do jornalismo que eles fazem.
Tabachi, lembrei muito daquele papo de envelhecer e o risco de tornar-se uma daquelas velhas beberrentas e cigarrentas que tanto divertem a gente nos botequins. Adoro observa-las!
Tenho mil historias pra contar e muitos assuntos para abordar. O tempo nao ajuda muito...Desde que cheguei fiquei meio chocada com tudo. E andava bem em baixa…Reparei que, coincidentemente, ja nao cantava (coisa que todos voces que me conhecem sabem que eu faco com frequencia!)
Tava sem vontade de cantar. Quando consegui cantarolar 1 musica (me veio Cruel, do Luis Melodia), alguma coisa estranha aconteceu dentro de mim e as coisas comecaram a mudar. Comecei a enxergar esse lugar e essa experiencia de outra forma.
Comecou com Cruel e passou para Construcao (de Chico Buarque): inevitavel nao lembrar de ‘pela fumaca e desgraca que a gente tem que tossir..Deus lhe pague!!!
O cenario de Cairo me pareceu, a primeira vista, opressor e sufocante, como sentir o Rio 40 graus numa favela da Avenida Brasil. Tipo Sao Paulo travestida de Complexo do Alemao.
Como num passe de magica, o ‘cantarolar’ provocou-me uma reacao positiva e comecou a abrir-me.
Passei a respirar melhor e esbocei um sorriso sincero porque, ate entao, fazia esforco para sorrir e muito provavelmente mantive estampada em minha cara aquela careta que faco quando estou concentrada em alguma coisa , cara de quem comeu e nao gostou (a testa franzida, os olhos miopes bem apertados e o bico seguido da suspirada profunda, contrariada).
*abaixo, uma foto que ilustra bem isso, tirada por uma amiga de Singapura que sempre estava em busca desse meu "momento KODAK".
E a partir dai, a trilha sonora da minha vida comecou a tocar sem parar na minha cabeca, me dando uma forca e uma energia que soh vendo pra crer!
Saudade assim faz doer e amarga que nem jilo. Mas ninguem pode dizer que me viu triste a chorar. Saudade o meu remedio eh cantar.
Soh nao estou ainda preparada para nennhuma musica um pouco mais calma que jah logo me ataca a dor de cotovelo. Morrissey nem pensar!!! You have never been in love, Until you've seen the stars
Fico tao triste…Muito heavy pro momento… Mas posso escutar Corazon Partido (soh a versao da Ivete Sangalo com o Alejandro Sanz ao vivo no Maracana, eh mais animadinha…hehehehhe)
To na onda pagode brega tambem. Escuto repetidas vezes Jeito Felino e chego a sentir o cheiro do churrasco das festas da casa do Dadinho (colega de trabalho da minha mae, dos tempos do banco, do bairro Retiro, dos suburbios de
Mas eu fui tao feliz nas festas do banco, nos botecos sujos, comendo pizza de bacalhau!! (especialidade do bar e restaurante Passatempo)
Escuto muito Pagu para nao me esquecer de quem eu sou! Sou mais macho que muito homem...
Que venha o sol, o perrengue, o favelao, a sujeira, a poeirada, os homens mal educados, que eu vou misturar tudo e fazer uma farofa bem brasileira e comer de garfada.
Tenho que aprender a lidar com ela :)
Tio, imprima esse email e de para vo ler. E pode dizer a ela que neta de Dona Iaiah, filha de Maria Matias e Yemanja nao desiste nao.
As vezes falo com a vida, e ela me disse qual a paz que eu nao quero conservar para tentar ser feliz.
Nao tem jeito, ou eh assim ou nao sobrevivo aqui…
Enfim, acho que encontrei meu oasis: A MUSICA.
Se eu posso dizer que eu sou do Brasil, essa alegria vem com certeza da minha ligacao com a musica...'
Bem, eh isso gente! Desculpem-me se eu sou ousadinha, beijinho beijinho tchau tchau.
A primeira semana em Cairo foi dificil, mais dificil do que ja era previsto.
Quando comecei a trocar emails com o brasilleiro com quem estou morando aqui e ele disse : ‘Humm, da Alemanha para Cairo… Corajosa, hein?!’ - nao tinha nocao da dimensao dessa frase.
E antes de chegar aqui, nao tinha nocao do que estava fazendo, de onde estava me metendo. Fui indo, simplesmente. O que me movia era a minha vontade d ever o mundo. E que mundo... :)
Tambem nao tive tempo de tomar essa consciencia porque nas minhas 2 semanas e meia no Brasil estava mais preocupada com a coxinha de galinha, farofa, arroz com feijao, ver amigos, passar o tempo com a familia, respirar o ar do Brasil e sentir o cheiro das coisas, do que com qualquer outra coisa.
Cheguei as 4:00 am de sabado, cansada e com fome.Um rapazinho da AIESEC me buscou no aeroporto e me levou para a casa da Nada, uma egipcia mulcumana tambem da AIESEC. Ao atender a porta, ela estava toda coberta, com blusa de manga comprida e veu na cabeca. Despedimos do garoto e fechamos a porta. Juro que o tempo de eu dirigir-me ao seu quarto e voltar, a Nada nao era mais a mesma.
Numa transformacao a la Super-Homem/Clark Kent, em 2 segundos a tal da Nada estava num pijaminha Carla Perez, super sexy, com os shorts curtissimos, mostrando todas as suas formas (muito avantajadas, diga-se de passagem).
Ela me perguntou se tava com fome e foi fazer omeletes para mim. Foi bastante gentil, sua mae me deu presente para eu poder me recordar dela. Os egipcios, no geral, sao amaveis e simpaticos.
Sabado a noite ela me deixou de carro na casa onde atualmente moro: o favelao. Estava cheia de brasileiros na sala, fizeram um almoco de domingo la (o fim de semana em paises mulcumanos e sexta e sabado, a semana vai de domingo a quinta).
Todos estavam com uma cara do tipo : ‘coitada, mais uma maluca desavisada que veio parar aqui’. Percebendo isso, perguntei sobre a cidade, informacoes estartegicas etc. Todos foram unanimes em dizer-me que nao iriam entrar muito em detalhes para nao me chocar logo de cara e que eu iria descobrir por mim mesma. Tambem me disseram quando voltasse ao Brasil, todos me achariam suicida ao atravessar a rua. Se eu quisesse atravessar as ruas de Cairo, teria que me jogar entre os carros, que nao param para voce! Era assim que funcionava.
Nao existe faixa de pedestres, sinal, nada. O transito e um caos!!! Nao da para entender como essa cidade funciona, e provavelmente impossivel d e funcionar, mas, contrariando todas as expectativas, ela funciona!
Ta ok!
O apartamento e o kitsch do kitsch, com estatuas, um teto rebaixado pintado de dourado com um enorme luste no centro. Eh bem amplo e todo empoierado.
Tirando Zamalek, Maadi e
Nao ha ruas, calcadas, etc. Asfalto, so nas avenidas principais. O resto e um poeril so misturado a um mundo de carros e taxis.
Outro fato: transporte publico egipcio e um monte de taxi velhos e pequenos e micro-onibus. Nao tem taximetro, vc tem que negociar o valor antecipadamente todas os dias para nao ser roubada ou ter dor de cabeca.
O pessoal foi embora. O casal de brasileiro viajou no dia seguinte, so retornando ontem (sabado, 11 de julho).